7.12.04

Sinopse de "O Homem que Passa"

Boas.
Já era altura de colocar a sinopse da peça à vista de todos, não é verdade? Pedimos desculpa por não estar disponível mais cedo, mas... ainda não estava feita.Ups,isto não era pra dizer! Ora,então agora que já está feita, façam favor de desfrutar este texto carinhosamente escrito pelo Prof. Rogério Guimarães:

Erico Veríssimo, escritor brasileiro, nasceu em Cruz Alta, Rio Grande do Sul, no ano de 1905 e faleceu em Porto Alegre no ano de 1976.
A sua vasta obra pautou-se por um grande sentido universalista, tanto mais de realçar visto que na sua época o romance brasileiro estava extremamente ligado ao regionalismo tropical. Erico Veríssimo situa geralmente a intriga dos seus livros numa atmosfera cosmopolita. Mostra-nos, com grande penetração psicológica, o conflito do homem numa sociedade em mudança. A sua temática romanesca e a simplicidade do seu estilo tornaram-no num dos mais populares autores brasileiros do nosso tempo. Estreou-se em 1932, com o livro de contos Fantoches, seguindo-se depois os romances Clarissa, Caminhos Cruzados, Música ao Longe, Um Lugar ao Sol, Olhai os Lírios do Campo.
Do primeiro livro de contos, Fantoches, o encenador “sacou” a peça “Creaturas versus Creador”, da qual fez uma adaptação a que deu o título de “O Homem que Passa”. Trata-se de uma divertida comédia onde o “Homem que Passa” não é mais do que uma das clássicas personagens de um triângulo amoroso que, obviamente, envolve ainda uma Mulher e um Marido, que tinha saído em viagem… de trabalho… Um bom malandro, situado em absoluto dentro do contexto social actual, convencido, sedutor, piroso. E se os há por aí…
Aliás todas as personagens da peça parece que já foram vistas algures, quase nos cruzamos com elas todos os dias. Prova que a evolução do homem muito pouco se fez sentir de Erico Veríssimo para cá ou, diria mesmo, de Gil Vicente para cá. O insólito da peça é que estas personagens acabam por se fartar da triste figura que são obrigadas a fazer por ordem do autor desta e acabam por tomar medidas drásticas. É a completa desconstrução do teatro, bem dentro de um estilo Pirandeliano, que Erico Veríssimo diz só ter lido uns anos mais tarde (coisa de génios).
O grupo de actores que dá vida a estas personagens, também eles um naipe de bons malandros, pegaram nas personagens com uma invejável energia, com uma capacidade interpretativa que nos anima, pela não acomodação ao fácil e a escorregadelas que poderiam levar a meros estereótipos de representação, o que implicaria naturalmente uma grosseira falta de respeito pelo palco e pelo público. Felizmente isso não acontece.

Gostaram? Então não percam dias 9,10 e 11 às 21:30 no Auditório dos Pimpões nas Caldas da Rainha.
Ah,e já agora podem ler o artigo da Gazeta das Caldas acerca da estreia desta peça:http://www.gazetacaldas.com/Desenvol.asp?NID=9260